Podemos confiar na Bíblia?

.:PODEMOS CONFIAR NA BÍBLIA? —Uma Resposta ao Ataque do Mormonismo
sobre a Exatidão da Bíblia

O QUE É A BÍBLIA?bible

A Bíblia é a compilação de 66 livros a que chamamos o “cânon” (regra ou padrão) das Escrituras. A Bíblia está dividida em duas partes: O Antigo Testamento que cobre o período da história humana desde a Criação ao profeta hebreu Malaquias em 400 a.C., e o Novo Testamento que cobre o período desde o Nascimento de Cristo (4 A.D.) até à Revelação de João em 95 A.D. A maioria do Antigo Testamento foi canonizada muito antes do nascimento de Jesus, com dois livros marginais sendo solidificados no final do cânon Judaico no Concílio de Jamnia em 90 A.D. A maioria dos livros do Novo Testamento foram aceites por volta de 100 A.D. com a excepção de seis livros discutíveis que foram reconhecidos oficialmente no cânon cristão no Terceiro Concílio de Cartago em 397 A.D.. 1.Deus é o supremo Autor da Escritura Bíblica. 2 Timóteo 3:16-17 declara: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” 2.  Quando alguém considera o elevado número de participantes humanos na Bíblia, de diferentes épocas, experiências de vida e locais completamente diferentes, escrevendo sobre muitos assuntos controversos e contudo todos concordando uns com os outros, qualquer um pode ver a origem divina da Bíblia, pois nenhum livro de origem humana alguma vez cumpriu tal tarefa. A seguinte lista de factos resume a singularidade deste grande livro de Escrituras:

  • Escrito por um período de mais de 1500 anos:
    • Antigo Testamento = 39 Livros com 3 Divisões (Escritas desde Moisés em 1400 a.C. a Malaquias em 400 a.C.)
      • Lei (Torá): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, e Deuteronômio
      • Profetas (Neviim): Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel, e os 12 Profetas Menores (Oséias, Joel, Amos, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias)
      • Escritos (Kethubim): Salmos, Provérbios, Jó, Rute, Cântico de Salomão, Eclesiastes, Lamentações, Ester, Daniel, Esdras, Neemias, 1 e 2 Crónicas
    • Novo Testamento = 27 Livros em 4 Divisões (Escritos desde Tiago em 45 A.D. a Apocalipse em 95 A.D.)
      • Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas, João
      • História: Atos
      • Epistolas: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filêmon, Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João, Judas
      • Profecia: Apocalipse
  •  3 Línguas:
  • Hebraico = A maioria das Escrituras do Antigo Testamento
  • Aramaico = Daniel 2-7:28; Jeremias 10:11; Esdras 4-7; Mateus 27:46
  • Grego Koiné = O Novo Testamento (com a excepção ocasional de frases em aramaico)
  • 40 Escritores de todas as rodas da vida, vivendo em muitos diferentes locais e abrangendo três continentes:
  • Moisés = Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Jó
  • Josué = Josué
  • Finéias ou Eleazar = Porções de Josué 
  • Samuel = 1 e 2 Samuel, Juizes, Rute
  • Natã = Porções de 1 e 2 Samuel
  • Gade = Porções de 1 e 2 Samuel
  • Jeremias = 1 e 2 Reis, Jeremias, Lamentações
  • Esdras = 1 Crónicas, 2 Crónicas, Esdras, Neemias
  • Mordecai = Ester
  • Davi = Maioria dos Salmos
  • Asafe = Porções dos Salmos
  • Filhos de Corá = Porções dos Salmos
  • Hemã, o Ezraíta = Porções dos Salmos
  • Etã, o Ezraíta = Porções dos Salmos
  • Salomão = Provérbios, Eclesiastes, Cântico de Salomão, Porções dos Salmos
  • Agur, filho de Jaque = Porções de Provérbios
  • Lemuel = Porções de Provérbios
  • Isaías = Isaías
  • Ezequiel = Ezequiel
  • Daniel = Daniel
  • Oséias = Oséias
  • Joel = Joel
  • Amós = Amós
  • Obadias = Obadias
  • Jonas = Jonas
  • Miquéias = Miquéias
  • Naum = Naum
  • Habacuque = Habacuque
  • Sofonias = Sofonias
  • Ageu = Ageu
  • Zacarias = Zacarias
  • Malaquias = Malaquias
  • Mateus = Mateus
  • Marcos = João Marcos
  • Lucas = Lucas, Atos
  • João = João, 1 e 2 e 3 João, Apocalipse
  • Paulo = Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filêmon, e possivelmente Hebreus (autor desconhecido)
  • Tiago = Tiago
  • Pedro = 1 e 2 Pedro
  • Judas = Judas

ldsscriptureCOMO OS MÓRMONS VÊM A BÍBLIA?

Os Mórmons encaram a Versão Rei Jaime da Bíblia como Escrituras, mas adicionaram três livros, que foram “traduzidos” e ditados pelo seu fundador, Joseph Smith, para completar o seu cânon aberto das Escrituras chamado “Obras-Padrão da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.” Estes livros das Escrituras adicionais são o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e a Pérola de Grande Valor. Destes quatro livros, a Bíblia é a menos confiável. Embora os Mórmons acreditem que a Bíblia seja um trabalho autoritativo de Escritura, eles afirmam que muitos erros foram introduzidos no texto, de modo que ninguém pode ter a certeza de que o que está registado na Bíblia hoje, seja verdadeiramente a Palavra de Deus como foi escrita pelos profetas judeus e apóstolos das épocas bíblicas. A oitava Regra de Fé da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, declara:

“Cremos ser a Bíblia a palavra de Deus, desde que esteja traduzida corretamente; também cremos ser o Livro de Mórmon a palavra de Deus.” — A Oitava Regra de Fé, Pérola de Grande Valor

Note a qualificação, “desde que seja traduzida corretamente,” colocada sobre a Bíblia, enquanto nenhuma qualificação é dada ao texto do Livro de Mórmon. Joseph Smith declarou que “tradutores ignorantes, copistas descuidados …sacerdotes corruptos cometeram muitos erros” em copiar o texto da Bíblia. 3.  Assim, Smith afirmou que ele restaurou e clarificou as verdades perdidas da Bíblia através da sua publicação do Livro de Mórmon:

“Eu disse aos irmãos que o Livro de Mórmon era o mais correto de todos os livros na terra, e a pedra fundamental da nossa religião e um homem irá ficar mais perto de Deus por aderir aos seus preceitos, do que por qualquer outro livro.”—History of the Church (História da Igreja), vol. 4, pág. 461 (Edição em inglês)

Ao afirmar que o Livro de Mórmon se destaca de “qualquer outro livro” como “o mais correto de todos os livros da terra”, Joseph Smith colocou o Livro de Mórmon acima da Bíblia, como o modelo pelo qual “um homem irá ficar mais perto de Deus”. Se alguém acreditar na afirmação de Joseph Smith de que o Livro de Mórmon é “o mais correto” livro da terra, então não poderá evitar questionar-se sobre a integridade do texto bíblico à medida que lê o ataque cerrado à exatidão da Bíblia encontrado nas páginas do Livro de Mórmon. Sete vezes no espaço de sete versículos citados abaixo do Primeiro Néfi, capítulo treze, o Livro de Mórmon afirma dogmaticamente: “foram suprimidas muitas coisas claras e preciosas do livro, que é o livro do Cordeiro de Deus.”

“E disse-me o anjo do Senhor: Viste que o livro procedeu da boca de um judeu; e ao proceder da boca de um judeu, continha a plenitude do evangelho do Senhor, de quem os doze apóstolos testificam; e eles testificam de acordo com a verdade que está no Cordeiro de Deus. Estas coisas, portanto, são transmitidas dos judeus aos gentios, em pureza, segundo a verdade que está em Deus. E depois de transmitidas dos judeus aos gentios pela mão dos doze apóstolos do Cordeiro, vês a formação daquela grande e abominável igreja que é mais abominável que todas as outras igrejas; pois eis que tiraram do evangelho do Cordeiro muitas partes que são claras e sumamente preciosas; e também muitos convênios do Senhor foram tirados. …Vês, portanto, que depois de haver o livro passado pelas mãos da grande e abominável igreja, foram suprimidas muitas coisas claras e preciosas do livro, que é o livro do Cordeiro de Deus. E depois que essas coisas claras e preciosas foram suprimidas, ele propagou-se por todas as nações dos gentios; e …por causa das muitas coisas claras e preciosas que foram suprimidas do livro…por causa dessas coisas que foram suprimidas do evangelho do Cordeiro, um grande número tropeça, sim, de tal maneira que Satanás tem grande poder sobre eles. …Tampouco permitirá o Senhor Deus que os gentios permaneçam para sempre naquele horrível estado de cegueira, no qual tu vês que estão, devido às passagens claras e preciosas do evangelho do Cordeiro que foram suprimidas por aquela igreja abominável, cuja formação tu viste. … e depois que os gentios tropeçarem muito por causa das partes claras e preciosas do evangelho do Cordeiro, as quais foram retidas por aquela igreja abominável que é a mãe das meretrizes, diz o Cordeiro—serei misericordioso para com os gentios, naquele dia, tanto que lhes tratei pelo meu próprio poder muito do meu evangelho, que será claro e precioso, diz o Cordeiro.” — 1 Néfi 13:24-26, 28-29, 32, 34

Embora o Livro de Mórmon veementemente enfatize que as preciosas verdades foram “retidas” e “suprimidas” do “evangelho do Cordeiro” pela “grande e abominável igreja,” não faz qualquer esforço em “restaurar” estas alegadas verdades perdidas. Não existe uma única doutrina revelada no Livro de Mórmon que não esteja já mencionada na Bíblia. Não apenas não existe sinal das chamadas “passagens claras e preciosas do evaneglho do Cordeiro” que estão alegadamente faltando na Bíblia, mas inexistentes do Livro de Mórmon estão muitas das doutrinas singulares do evangelho Mórmon — tais como o batismo pelos mortos, os três graus de glória, casamento celestial, Deus tendo um corpo de carne e osso e a Palavra da Sabedoria (leis do Mormonismo sobre comida e bebida). Todos estes são requerimentos que a Igreja SUD afirma serem necessários para que um Mórmon seja exaltado ao mais alto grau do Céu, contudo elas estão ausentes dos “requerimentos” dos livros que Joseph Smith afirma, iriam fazer com que um homem ficasse “mais perto de Deus…do que…qualquer outro livro”. Para além disso, Jesus no Livro de Mórmon avisa contra adicionar às Suas doutrinas, quando Ele diz:

“Em verdade, em verdade vos digo que esta é minha doutrina… E aqueles que declararem mais ou menos do que isto e estabelecerem-no como minha doutrina, esses vêm do mal…” — 3 Néfi 11:39-40 4.

É a Igreja Mórmon culpada de declarar “mais…menos” do que a doutrina de Jesus por adicionar “requerimentos” que não se encontram no Livro de Mórmon? Seja você o juiz. Entretanto, você deve perguntar o porquê do Livro de Mórmon não apenas falhar em “restaurar” estas doutrinas perdidas do Mormonismo, mas contradizer as palavras de Jesus Cristo, o verdadeiro Cordeiro de Deus, que prometeu:

“Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.” — Mateus 24:35 5.

Em quem devemos acreditar? Devemos acreditar em Joseph Smith e o Livro de Mórmon que afirma que “partes claras e preciosas” das palavras de Jesus passaram? Ou devemos acreditar na promessa de Jesus de que Ele preservaria as Suas palavras? Jesus não foi o único na Bíblia a prometer que as palavras de Deus não se perderiam. O profeta Isaías fez a seguinte promessa no Antigo Testamento e o Apóstolo Pedro reiterou essa promessa no Novo Testamento:

“Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente.”
— Isaías 40:8

“A palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada.”—1 Pedro 1:25

A VERSÃO INSPIRADA DA BÍBLIA DE JOSEPH SMITH

Apesar da promessa de Deus de que a Sua Palavra não se perderia, Joseph Smith foi tão longe quanto produzir a sua versão da Bíblia, na qual adicionou centenas de palavras ao texto das Escrituras sem qualquer apoio de manuscritos. A sua tradução é chamada de A Inspirada Versão da Bíblia ou A Tradução de Joseph Smith             (TJS). A Igreja Mórmon publicou algumas das revisões de Smith nas notas de rodapé e apêndice da sua versão SUD da Bíblia Rei Jaime e todas as revisões de Smith são atualmente publicadas no livro intitulado, Joseph Smith’s “New Translation” of the Bible (“Nova Tradução” da Bíblia de Joseph Smith), da Herald Publishing House, propriedade da Comunidade de Cristo (anteriormente a Reorganizada Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ou RSUD).

Embora Joseph Smith tenha afirmado ter terminado a sua tradução das Escrituras em Julho de 1833, 6. a maioria dos Mórmons pensam que ele não a terminou, porque a Igreja SUD nunca publicou o manuscrito completo da mesma. Contudo, não apenas Joseph Smith testemunhou ter completado as Escrituras, como proclamou que Deus ordenou-lhe que a sua tradução da Bíblia deveria ser impressa.

“….o segundo terreno no sul ser-me-á dedicado para a construção de uma casa para mim, a fim de imprimir-se a tradução de minhas escrituras…” — Doutrina e Convênios, 94:10

“E por esta razão mandei que vos organizásseis, sim, para imprimirdes minhas palavras, a plenitude de minhas escrituras, as revelações que vos dei…” — Doutrina e Convênios, 104:58

“…que daqui em diante [William Law] atenda ao conselho de meu servo Joseph e com seus bens apóie a causa dos pobres e publique a nova tradução da minha santa palavra para os habitantes da Terra.” — Doutrina e Convênios, 124:89

Se Joseph Smith nunca terminou de traduzir as Escrituras da Bíblia como muitos Mórmons hoje em dia afirmam, o que estava fazendo Smith com tantas revelações alegadamente de Deus, declarando que ele deveria imprimir as suas Escrituras da Bíblia? Porque Deus iria ordenar-lhe a impressão de uma tradução incompleta? Apesar das revelações de que Deus ordenou que a tradução de Smith deveria ser impressa, a Igreja Mórmon nunca imprimiu um manuscrito completo dela. Porquê? A Igreja SUD não tem os direitos de autor dela. Quando Joseph Smith morreu, Brigham Young tomou conta da liderança da Igreja SUD. A primeira mulher de Joseph Smith, Emma, recusou-se a dar o manuscrito a Young e em vez disso, deu-a a um grupo chamado a Reorganizada Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias liderados pelo seu filho, que por sua vez publicou a tradução de Smith em 1867.

É fascinante estudar a Tradução da Bíblia de Joseph Smith, porque irá descobrir muitas mudanças e alterações que ele fez ao texto das Escrituras para validar as suas opiniões pessoais. Algumas das mudanças significativas que Smith inseriu no texto da Bíblia, são as seguintes:

  • RA Romanos 4:5: “…crê naquele que justifica o ímpio…”
  • TJS Romans 4:5: “…crê naquele que não justifica o ímpio…” 7.
  • RA Êxodo 33:20: “Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá.”
  • JST Exodus 33:20: “Não poderás ver a minha face neste momento, para que a minha ira não se acenda contra ti e teu povo; pois nenhum homem entre eles neste momento pode ver-me e viver, pois excederam o proceder pecaminoso. E nenhum homem pecador em nenhum momento, nem haverá a qualquer momento qualquer homem pecaminoso, que veja a minha face e viva.” 8.

Joseph Smith até mesmo adicionou uma secção inteira à sua Bíblia, consistindo em 15 versículos e mais de 800 palavras entre Gênesis 50:24-26, de modo a criar uma profecia sobre si mesmo. O seguinte versículo onde ele se menciona a si mesmo por nome, é tirado da profecia que Smith adicionou ao capítulo cinquenta de Gênesis:

E a esse vidente eu abençoarei, e aqueles que o procurarem destruir serão confundidos; pois esta é a promessa que vos faço; pois irei lembrar-me de ti, de geração em geração; e seu nome será chamado José, e será segundo o nome de seu pai; e ele será como vós; pois o que o Senhor fizer pela sua mão, levará meu povo à salvação.” — Gênesis 50:33, Tradução de Joseph Smith (Edição em inglês)

A “Inspirada Versão” de Joseph Smith cria muitas dificuldades à Igreja SUD, não apenas porque a Igreja viola as revelações da Doutrina e Convênios quando não imprimiu a completa versão dela, mas também porque a versão de Smith não corrigiu as Escrituras Bíblicas mais problemáticas que condenam as crenças heréticas do Mormonismo. Textos tais como Isaías 44:6 e 8 que condena o conceito de “pluralidade de deuses” de Smith 9. e Isaías 43:10 que condena a ideia de que homens podem tornar-se deuses 10. são deixados intactos na tradução de Joseph Smith. Do mesmo modo, a versão de Joseph Smith não faz qualquer tentativa de restaurar os alegados “livros perdidos” que os Mórmons afirmam que foram removidos da Bíblia. Finalmente, nos milhares de manuscritos da Bíblia que foram descobertos, alguns datando tão tarde quanto o 2º século a.C., nem um único manuscrito apoia as mudanças que Joseph Smith fez ao texto da sua Bíblia. Se as “partes claras e mais preciosas do evangelho do Cordeiro” foram realmente “retiradas” e “ocultadas” pela “abominável igreja” da Idade Média, como o Livro de Mórmon afirma, 11. wporque é que essa evidência está completamente ausente dos manuscritos que hoje em dia possuímos da Bíblia Sagrada que são anteriores à formação da Igreja Católica? Porque é que as mudanças de Smith discordam com os manuscritos que o Livro de Mórmon diz serem puros naquela altura? 12.  Tais discrepâncias entre a tradução de Smith e os antigos manuscritos, apenas lançam a suspeita de séria fraude e engano da parte de Smith

“Toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que nele confiam. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda, e sejas achado mentiroso.” — Provérbios 30:5-6

COMO A BÍBLIA FOI TRANSMITIDA ATÉ NOSSOS DIAS

Visto que a Bíblia foi escrita por um período de quinze mil anos, dois ou três mil anos antes da invenção da impressão, ela foi preservada através do processo de escrita manual e cópia de manuscritos numa variedade de materiais: Papiro (antigo material de escrita mais comum feito de folhas de papiro), Pergaminho (peles preparadas de ovelhas, cabras e outros animais), Velino (preparado a partir de peles de vitelo, muitas vezes tingido de roxo e escrito com ouro ou prata), Óstraco (cerâmica não-vidrada), Tabuinhas de argila (gravadas enquanto molhadas e secas para fazer um registo permanente), Pedras (gravadas com caneta de ferro) e Tabuinhas de cera (placa de madeira coberta com cera). 13.  Devido à disponibilidade dos papiros, pergaminhos e velinos, a maioria dos manuscritos que temos hoje, consistem nestes materiais e foram preparados, quer em rolos ou em códice (em forma de livro). Embora possuamos milhares de cópias de antigos manuscritos da Bíblia, nenhum dos manuscritos originais sobreviveram até aos nossos dias.

Através dos séculos, muitas traduções dos manuscritos foram feitas em outras línguas. Assim, como anteriormente apontado, a oitava Regra de Fé da Igreja SUD declara que os Mórmons acreditam “ser a Bíblia a palavra de Deus, desde que esteja traduzida corretamente.” Após ouvir a palavra “tradução”, alguém poderá ingenuamente assumir que as preocupações dos Mórmons acerca da exatidão da Bíblia poderia ser facilmente satisfeita, utilizando os inúmeros recursos grego e hebraico disponíveis para comparar o texto original do grego, hebraico e aramaico da Bíblia contra as modernas traduções da Bíblia que possuímos hoje em dia. Enquanto isto poderia ser uma tarefa fácil de realizar com as ferramentas adequadas, não satisfaria as dúvidas dos Mórmons sobre a exatidão da Bíblia porque as suas preocupações derivam do entendimento errado acerca do processo pelo qual a Bíblia foi transmitida de geração em geração.

Muitos Mórmons assumem erradamente que devido aos eruditos não possuírem hoje os manuscritos originais da Bíblia, eles acreditam ser impossível saber o que escreveram os escritores originais da Bíblia. Eles erroneamente  atribuem a fase “traduzir a Bíblia” como um processo pelo qual eles pensam que a Bíblia foi traduzida de uma língua para outra língua e assim adiante de uma outra língua para a próxima até que chegamos à nossa versão inglesa da Bíblia Rei Jaime. Com esta visão da transmissão da Bíblia, alguém pode facilmente entender como um Mórmon pode convencer-se de que “muitas coisas claras e preciosas das doutrinas do evangelho Mórmon foram “suprimidas do livro 14. da Bíblia e que doutrinas apóstatas do Cristianismo as substituíram.

Embora esta distorção da transmissão da Bíblia possa parecer plausível, as suas conclusões erróneas tornam-se claras quando se considera a assombrosa evidência de manuscritos que provam que a Bíblia foi preservada com  99.5% de exatidão. Embora muitas “traduções” dos manuscritos bíblicos tenham sido feitas ao longo dos anos, a vasta maioria destas modernas traduções têm sido realizadas a partir das cópias dos manuscritos da língua original. Assim, “traduções” feitas em outras línguas foram apenas consideradas como uma fonte secundária para entender o significado de passagens difíceis.

A PRESERVAÇÃO DOS MANUSCRITOS DO ANTIGO TESTAMENTO HEBRAICO

Os Judeus levaram a salvaguarda das Escrituras a sério. Assim, eles treinaram de modo especial pessoas chamadas “escribas” para copiar as Escrituras com grande cuidado, meticulosamente confirmando e reconfirmando os erros. Os escribas Judeus da era Massorética (500 A.D. a 950 A.D.) procuravam por erros nas suas cópias por compararem o número de letras no manuscrito original com o número de letras na cópia e verificando se a letra do meio do documento original estava de acordo com a letra do meio da cópia. Se a mais leve discrepância fosse encontrada na cópia, ela era rejeitada e o processo de copiar o manuscrito original recomeçava do zero. Foi através deste processo cuidadoso dos escribas que a exatidão dos manuscritos do Antigo Testamento Hebraico foi preservado.

A cópia mais antiga do manuscrito completo  do Antigo Testamento Hebraico que possuímos hoje, é o Códice de Leningrado (L) datado de 1008 A.D. Antes dos tumultos em Israel em 1947, quando o Códice de Alepo de 900 A.D. foi danificado, era o mais antigo e completo manuscrito Massorético do inteiro Antigo Testamento. Estes manuscritos juntamente com os manuscritos parciais que possuímos das Escrituras do Antigo Testamento Hebraico, datados do 8º e 10º séculos, formam a base do Texto Massorético Hebraico do qual todas as versões da Bíblia são hoje em dia traduzidas. 15.  Em 1947, quando os Rolos do Mar Morto foram descobertos nas grutas de Qumran, acerca de 25 quilómetros a leste de Jerusalém, fragmentos de todos os livros do Antigo Testamento (excepto Ester), foram descobertos nesses rolos datando ao 2º século a.C. A mais importante descoberta foi a cópia Hebraica completa do livro de Isaías. Quando este rolo do 2º século a.C. foi comparado com o mais antigo texto conhecido de Isaías de aproximadamente 900 A.D., os eruditos ficaram maravilhados de descobrir o texto de Isaías virtualmente inalterado com 95% de exatidão em mais de 1.000 anos de cópia! A maioria dos 5% de variação entre os manuscritos, consistia principalmente de deslizamentos da pena e erros óbvios de grafia que não afetaram a mensagem do texto. 16.  Assim, podemos ter confiança na exatidão dos manuscritos Hebraicos que os eruditos usam atualmente para traduzir a porção do Antigo Testamento da nossa Bíblia para as línguas modernas de hoje.

A PRESERVAÇÃO DOS MANUSCRITOS DO NOVO TESTAMENTO GREGO

Enquanto os judeus incumbiram a tarefa de copiar os manuscritos do Antigo Testamento a escribas treinados, a Igreja Cristã do Novo Testamento não tinha este processo para as suas Escrituras. Antes, à medida que as Escrituras do Novo Testamento circulavam entre as igrejas do primeiro século, indivíduos fizeram indiscriminadamente cópias para uso pessoal e congregacional. Assim, pequenas discrepâncias proliferaram entre as cópias, assim como seria de esperar quando a precisão em copiar não era enfatizada ao ponto que era pelos escribas hebreus.

A maioria destas discrepâncias (variantes textuais) consistem em pequenos erros gramaticais que são de fácil reconhecimento pelo erudito, bem como a inserção acidental ou eliminação de uma nota marginal que não tem relevância sobre a mensagem geral do texto. Na maioria dos casos, uma comparação de uma imensidão de cópias de manuscritos pode facilmente determinar a intenção do autor.

sinaiticusOs eruditos têm hoje mais de 24.000 manuscritos parciais ou completos do Novo Testamento para comparar os textos. 5.686 destes manuscritos estão em grego e 19.284 são antigas traduções linguísticas. A maioria dos manuscritos gregos foi copiada entre o 9º e o 16º séculos, várias centenas copiados entre o 4º e o 8º séculos e uns antigos manuscritos em papiro datam do 2º e 3º séculos. O mais antigo manuscrito é o Papiro 52 (P52) do Evangelho de João, copiado em 125 A.D.

O mais antigo manuscrito do inteiro Novo Testamento é o Códice Sinaítico grego de 325 A.D. Junto com o Códice Vaticano, também do 4º século, formam a base do The New Testament in the Original Greek de 1881 (O Novo Testamento no Original Grego), de Brook Foss Westcott e Fenton John Anthony Hort.Estes manuscritos contêm, não apenas o inteiro Novo Testamento Grego, mas uma larga porção da Tradução da Septuaginta Grega do Antigo Testamento Hebraico que foi preservada neles também. Assim juntos, estes manuscritos são considerados os mais antigos manuscritos que possuímos hoje da Bíblia inteira em grego. As seguintes tabelas, adaptadas do New Evidence That Demands a Verdict (Nova Evidência que Exige um Veredito), 17. prde Josh McDowell, providencia uma lista de todos os manuscritos sobreviventes do Novo Testamento disponíveis hoje:

Manuscritos Gregos Existentes:

Nº. de Cópias

Unciais (Todos em Letras Maiúsculas)

307

Minúsculas (Letras Maiúsculas e Minúsculas)

2,860

Lecionários

2,410

Papiro

109

SUBTOTAL

5,686

TRUE FREEDOM

Manuscritos em Outras Línguas

Nº. de Cópias

Vulgata Latina

10,000+

Etíope

2,000+

Eslava

4,107

Arménia

2,587

Siríaca Pesito

350+

Boairíca

100

Árabe

75

Latim Antigo

50

Anglo-Saxão

7

Gótica

6

Sogdian

3

Siríaco Antigo

2

Persa

2

Franco

1

SUBTOTAL

19,284+

TOTAL

24,970

Compare os totais destes manuscritos com quaisquer dos outros livros da antiguidade e irá descobrir que não existem manuscritos antigos que se possam comparar com o apoio dos manuscritos que temos para o texto do nosso Novo Testamento. Isto é demonstrado pela seguinte tabela do livro de Josh McDowell, New Evidence That Demands a Verdict: 18.

AUTOR

LIVRO

TEMPO DE ESCRITA

CÓPIA MAIS ANTIGA

INTERVALO DE TEMPO

N.º DE CÓPIAS

Homero

Ilíada

800 a.C.

400 a.C.

400 anos

643

Heródoto

Historia

480-425 a.C.

900 A.D.

1,350 anos

8

Platão

A República

400 a.C.

900 A.D.

1,300 anos

7

César

Guerras da Gália

100-44 a.C.

900 A.D.

1,000 anos

10

Lívio

Historia de Roma

59 B.C. – 17 A.D.

4º Século (Parcial)

10º Século

400 anos
1,000 anos

1 parcial
19 cópias

Tácito

Anais

100 A.D.

1,100 A.D.

1,000 anos

20

Plíneo Secundus

História natural

61-113 A.D.

850 A.D.

750 anos

7

Novo Testamento

50-100 A.D.

114 A.D. (fragmentos)
200 A.D. (livros)
250 A.D. (maioria do N.T.)
325 A.D. (maioria do N.T.)

+ 50 anos
100 anos
150 anos
225 anos

5,686
parciais e completas

 O NOVO TESTAMENTO PRESERVADO NAS CITAÇÕES DOS PAIS DA IGREJA

As citações das Escrituras do Novo Testamento de sete primitivos pais da igreja 19. começando com Justino, o Mártir (100 A.D.), a Eusébio de Cesaréia (339 A.D.), totalizam 36.289 por volta do período do Concílio de Nicéia. Como se este número de citações do Novo Testamento dos primitivos pais da igreja não fosse suficientemente impressionante, poder-se-ia adicionar as citações dos pais da igreja contemporâneos com Agostinho de Hippo (354 A.D) e muitos pais posteriores, para chegar ao total de 86.489 citações. 20.  Josh McDowell nota:

“…as citações são tão numerosas e difundidas, que mesmo que nenhum manuscrito do Novo Testamento tivesse sobrevivido, o Novo Testamento poderia ser reproduzido apenas a partir destes escritos dos primitivos Pais. (Geisler, GIB, 430)  Em resumo, J. Harold Greenlee estava certo quando escreveu: “Estas citações são tão extensas que o Novo Testamento poderia virtualmente ser reconstruído a partir delas, sem o uso dos Manuscritos do Novo Testamento.” (Greenlee, INTTC, 54)” — The New Evidence That Demands a Verdict (A Nova Evidência que Exige um Veredito), pág. 43

De facto, o apoio dos manuscritos para o Novo Testamento não deixa dúvida do facto de que hoje possuímos todo o conteúdo das Escrituras originais escritas pelos Profetas e Apóstolos da nossa fé do primeiro século.

COMO OS ERUDITOS DO NOVO TESTAMENTO GREGO RESOLVEM AS DISCREPÂNCIAS TEXTUAIS

Os Mórmons habitualmente contradizem afirmando que as variantes textuais (discrepâncias) entre os manuscritos das Escrituras, provam que a Bíblia não é exacta. Esta acusação simplesmente não é correta, como iremos demonstrar pelo nosso exame do processo pelo qual os eruditos textuais escrutinam múltiplas cópias dos manuscritos das Escrituras, de modo a determinar o sentido essencial por detrás das variantes.

O nosso primeiro exemplo é Desidério Erasmo (1466-1536), que estudou seis manuscritos parciais do Novo Testamento, de modo a criar um único manuscrito chamado Textus Receptus (Texto Recebido) que formou a base da porção do Novo Testamento da Bíblia Versão Rei Jaime de 1611. Ele avaliou as variantes nesses manuscritos para determinar quais as versões que estavam mais correctas. Uma das passagens às quais deu considerável atenção foi 1 João 5:7-8. A Vulgata Latina da Idade Média adicionou muitas palavras no texto que não eram apoiadas pelos manuscritos gregos. Esta variante textual é agora chamada de Comma Johanneum e na Antiga Vulgata Latina reza:

LATIM:
testimonium dicunt [ou dant] in terra, spiritus [ou: spiritus et] aqua et sanguis, et hi tres unum sunt in Christo Iesu. et tres sunt, qui testimonium dicunt in caelo, pater verbum et spiritus.”

1 JOÃO 5:7-8
VULGATA LATINA DA IDADE MÉDIA

TRADUÇÃO MODERNA (BPTi)

“Pois existem três dando testemunho na terra, espírito, água e sangue,  e estes três são um em Cristo Jesus. E os três que dão testemunho no céu, são pai, palavra e espírito.” 21.

“Há pois três que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue, e os três estão de acordo.” (Citado da tradução a Bíblia Para Todos – Edição Interconfessional)

Devido à Vulgata Latina  ser a Bíblia comum de seus dias,  Desidério Erasmo recebeu muito criticismo quando a sua primeira e segunda edições do seu manuscrito grego não incluíram as palavras extra do Comma Johanneum. Os seus críticos acusaram Erasmo de apoiar a crença herética do “Arianismo” que negava a Trindade e ensinava que Jesus não é Deus. Visto que Erasmo foi incapaz de encontrar um único manuscrito grego que apoiasse essas palavras adicionais, na sua nota nas Anotações das suas duas primeiras edições do texto grego lemos:

“No códice grego, eu apenas encontrei o tríplice testemunho: ‘pois há três testemunhas, espírito, água e sangue.’ ” 22.

Quando Erasmo desafiou os seus críticos a apresentar-lhe um manuscrito grego que apoiasse a tradução do Comma Johanneum em 1 João 5:7-8, eles apresentaram a Erasmo um manuscrito irlandês (Códice Montfortianus), que muitos acreditavam ter sido produzido e traduzido para o grego nesta passagem a partir da própria Vulgata Latina. Mantendo-se fiel à sua palavra, Erasmo relutantemente inseriu o Comma Johanneum na sua terceira edição do Textus Receptus com a seguinte nota:

“Eu restaurei o texto … para que não desse a ninguém um motivo para calúnia.” 23.

Até este dia, o Textus Receptus e todas as traduções da Bíblia baseadas neste manuscrito (i.e. a Versão Rei Jaime e a Nova Versão Rei Jaime), contêm as palavras adicionais do Comma Johanneum, enquanto todas as outras traduções o excluem baseados na evidência de milhares de manuscritos (incluindo o Códice Sinaítico e o Códice Vaticano), todos excluindo o Comma Johanneum dos seus textos.

Os tempos mudaram desde os dias de Erasmo, onde apenas existiam meia-dúzia de manuscritos gregos. Os eruditos agora têm mais de 24.000 manuscritos parciais ou completos do Novo Testamento, com os quais podem comparar textos. Dada a disponibilidade de milhares de manuscritos, é fácil para eruditos modernos determinarem o que os autores dos manuscritos originais do Novo Testamento escreveram em seus textos. Apesar de discutirmos o Comma Johanneum que é uma das variantes textuais mais críticas do Novo Testamento, a maioria das variantes é acidental e não têm influência sobre o sentido geral do texto. Algumas destas variantes são as seguintes:

VERSÃO REI JAIME
ALMEIDA REVISTA E ATUALIZADA
ATOS 16:7: “…o Espírito não lhes permitiu. ATOS 16:7: “…o Espírito de Jesus não o permitiu.”
ATOS 22:16: “…lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor.” ATOS 22:16: “…lava os teus pecados, invocando o nome dele.”
FILIPENSES 4:13: “Eu posso fazer todas as coisas através do Cristo que me fortalece.” I FILIPENSES 4:13: “Tudo posso naquele que me fortalece.”
1 PEDRO 3:15: “Mas santificai o Senhor Deus em vossos corações…” 1 PEDRO 3:15: Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração…”

Como se pode notar nos exemplos dados na tabela acima, a maioria das variantes textuais têm a ver com a adição ou exclusão das palavras “Deus”, “Jesus” ou “Cristo” à palavra “Senhor” ou “Espírito” ou para substituir o pronome pessoal “Ele” por “Cristo” nos manuscritos. Embora a maioria dos antigos manuscritos gregos favoreçam a leitura das modernas traduções, tais como a Almeida Revista e Atualizada ilustrada acima, nenhuma das variantes leituras muda os significados inerentes ao texto. Através da comparação, tais como ilustrado acima, alguém pode facilmente determinar a mensagem essencial dos autores originais do Novo Testamento. Deste modo, como Norman L. Geisler e Frank Turek afirmam:

“Os eruditos textuais Westcott e Hort estimaram que apenas uma em sessenta destas variantes tinha significado. Isto deixaria um texto 98,33 por cento puroNenhum livro antigo está tão bem autenticado. O grande erudito do Novo Testamento e professor de Princeton, Bruce Metzger estimou que o Mahabharata do Hinduísmo está copiado com apenas 90 por cento de exatidão e a Ilíada de Homero com cerca de 95 por cento. Por comparação, ele estimou que o Novo Testamento é cerca de 99,5 por cento exato. Novamente, os 0,5 em questão não afetam uma única doutrina da fé cristã.” — I Don’t Have Enough Faith to Be an Atheist (Eu Não Tenho Fé Suficiente para Ser um Ateísta), 2004, pág. 229

SERÁ QUE FALTAM LIVROS NA BÍBLIA?

Os Mórmons costumam apontar para o nome de livros citados na Bíblia, mas não encontrados nas Escrituras, como evidência de que as Escrituras da Bíblia estão incompletas. Alguns dos livros normalmente citados na Bíblia, que os Mórmons consideram “perdidos” ou “faltando” são os seguintes:

  • O livro das guerras do SENHOR (Números 21:14).
  • O livro de Jasar (Josué 10:13; 2 Samuel 1:18).
  • O livro do direito do reino (1 Samuel 10:25).
  • Os atos ou anais de Salomão (1 Reis 11:41).
  • O livro de Gade, o visionário (1 Crónicas 29:29).
  • O livro de Natã, o profeta (1 Crónicas 29:29; 2 Crónicas 9:29).
  • O livro de Jeú (2 Crónicas 20:34).
  • O livro de Enoque (Judas 14)
  • Uma carta anterior de Paulo aos Efésios (Efésios 3:3)
  • Uma carta anterior de Paulo aos Coríntios (1 Coríntios 5:9);
  • Uma carta escrita de Laodicéia aos Colossenses (Colossenses 4:16).

É importante notar em primeiro lugar que estes livros não foram “perdidos” da Bíblia. Estes livros eram de conhecimento geral para as pessoas dos seus dias e alguns até mesmo sobreviveram até aos nossos dias, tal como o livro de Enoque alistado em cima. Em primeiro lugar, a razão pelo qual não são encontrados na Bíblia é porque eles nunca foram considerados Escrituras! Os Mórmons incorretamente assumem que, se um livro é mencionado no texto das Escrituras, esse mesmo livro também deve ser considerado ele mesmo Escritura. Esta é uma falsa assunção porque a maioria dos livros não-inspirados mencionados na Bíblia, eram meros jornais dos profetas e visionários ou livros históricos, tais como o “livro das guerras do SENHOR”, mencionado em Números 21:14. Não existe nada no texto das Escrituras que indique que Deus intencionasse que tais livros fossem preservados na Sua Santa Palavra, a Bíblia. Para além disso, quando alguém examina estes livros que foram preservados até aos nossos dias (tal como o livro de Enoque), percebe que a estes livros falta a autoridade divina e/ou contêm inexatidões no texto que os impedem de ser canonizados nas Escrituras. Esta é a razão porque nenhum destes livros não-inspirados mencionados na Bíblia foram considerados Escrituras pelas pessoas dos seus dias. Contudo, vale a pena discutir as alegadas cartas desaparecidas de Paulo, pois a maioria das suas cartas (diferentes dos outros livros mencionados na lista acima) são considerados Escrituras.

Será que se perdeu a carta do mistério de Paulo? (Efésios 3:3-4)

Em Efésios 3:3-4, Paulo faz menção de um anterior escrito no qual ele discute o mistério que Deus tornou-lhe conhecido por revelação. É importante perceber que as cartas de Paulo nem sempre ficavam na igreja em particular para a qual tinha sido enviada, mas era comum serem copiadas e circularem entre outras igrejas. Isso é certamente verdade no caso do livro dos Efésios, pois Paulo escreveu esta carta com intenção específica de a fazer circular por todas as igrejas da Ásia Menor. Assim, é possível que a “revelação” do “mistério” sobre o qual Paulo escreveu anteriormente, seja uma referência a uma carta anterior, possivelmente 1 Coríntios, onde Paulo escreve acerca do “mistério” de Deus (1 Coríntios 2:7-10) “resumidamente” (Efésios 3:3). Visto que Paulo escreveu 1 Coríntios a partir da cidade de Efésios (1 Coríntios 16:8), é bastante razoável concluir que os Efésios ainda tinham acesso a uma cópia desta carta coríntia que Paulo escreveu durante a sua estadia ali.

Será que a primeira carta de Paulo aos Coríntios se perdeu? (1 Coríntios 5:9)

Em 1 Coríntios 5:9, Paulo declarou: “Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros.” Com respeito a esta passagem, Norman Geisler e Thomas Howe comentaram:

“Existem três possibilidades aqui. Primeira, pode ser que nem todas as cartas apostólicas fossem destinadas a pertencer ao cânon das Escrituras. Lucas refere-se a “muitos” outros evangelhos (1:1). João indica que Jesus fez muito mais que não foi registado (20:30; 21:25). Talvez esta carta aos Coríntios chamada de “perdida” não fosse destinada por Deus a ser recolhida no cânon e preservada… Segundo, outros acreditam que a carta a que se refere (em 1 Cor. 5:9) pode não estar realmente perdida, mas fazer parte de um livro existente na Bíblia. Por exemplo, pode ser parte daquilo que conhecemos como 2 Coríntios (cap. 10-13), que alguns acreditam que foi colocado mais tarde, junto com os capítulos 1-9. Em apoio disso está disponível o facto de que os capítulos 1-9 têm decididamente um tom diferente do restante Livro de 2 Coríntios (cap. 10-13). Isto pode indicar que foi escrito numa ocasião diferente… Eles também apontam que Paulo refere-se a “cartas” (plural) que ele tinha escrito em 2 Coríntios 10:10. Terceiro, outros acreditam que Paulo está-se referindo ao atual Livro de 1 Coríntios em 1 Coríntios 5:9, isto é, ao próprio livro que ele estava escrevendo na altura. Em apoio disto eles apontam… Embora o tempo do aoristo grego usado aqui (“Eu escrevi”) possa referir-se a uma carta passada, também se pode referir ao próprio livro no qual ele está a ser usado.” — When Critics Ask – Popular Handbook on Bible Difficulties (Quando os Críticos Perguntam – Manual Popular sobre Dificuldades da Bíblia), 1992, págs. 152-153 (Edição em inglês)

Será que a carta de Paulo de Laodicéia se perdeu? (Colossenses 4:16)?

Em Colossenses 4:16, Paulo ordena à igreja de Colossos: “E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodicéia, lede-a igualmente perante vós.” Alguns argumentam que a “epístola de Laodicéia” é uma carta perdida de Paulo, porque nenhuma das cartas de Paulo no nosso Novo Testamento leva este título. Contudo, o texto diz que a carta era “de Laodicéia” — não que a carta era chamada por esse nome. Existe boa evidência que a carta “de Laodicéia” é uma referência ao livro de Efésios. Existem várias razões para isso. Primeiro, Paulo escreveu Efésios ao mesmo tempo que escreveu o livro de Colossenses. Segundo, Efésios era uma espécie de carta cíclica que Paulo enviou através das igrejas da Ásia Menor, e três anteriores manuscritos gregos não contêm as palavras “em Éfeso”, em Efésios 1:1, na frase: “aos santos que vivem em Éfeso.” Assim, muitos acreditam que a carta vinda “de Laodicéia” mencionada em Colossenses 4:16, era de facto, uma referência à carta de Paulo aos Efésios. 24.

SERÁ QUE O LIVRO DE MÓRMON PERTENCE AOS LIVROS PERDIDOS?

Enquanto os Mórmons são rápidos a afirmar que os livros citados não incluídos no texto das Escrituras, são prova de que a Bíblia é incompleta, eles falham em aplicar a mesma regra ao seu Livro de Mórmon, que tem nada menos que 10 livros citados que não estão incluídos no seu texto. Poderemos nós argumentar que o Livro de Mórmon é incompleto porque esses livros não estão incluídos? Nenhum Mórmon concordará com isto.

  • Profecias de Zenos (1 Néfi 19:10; Jacó 5:1)
  • Profecias de Zenock (1 Néfi 19:10)
  • Profecias de Neum (1 Néfi 19:10)
  • Prophecies of Neum (1 Nephi 19:10)
  • Placas Perdidas de Labão (1 Néfi 3:3-4)
  • Ensinos Perdidos de Benjamim (Mosias 1:8)
  • Palavras Perdidas de Amuleque (Alma 9:34)
  • Palavras Perdidas de Alma (Alma 13:31)
  • Ensinos Perdidos de Alma (Alma 8:1)
  • Ensinos Perdidos de Helamã (Helamã 5:13)

Devemos lembrar-nos que Deus o Pai e o próprio Jesus Cristo prometeram que a Palavra de Deus iria durar para sempre (Isaías 40:8; Mateus 24:35; 1 Pedro 1:25). Assim, se um livro das Escrituras se perdesse, teríamos de questionar o poder de Deus em manter as Suas promessas. De facto, este não é o caso, pois as Escrituras declaram que Deus não pode mentir! (Tito 1:2)

ESTÁ A BÍBLIA COMPLETA OU DEVEMOS ESPERAR POR UMA NOVA REVELAÇÃO?

Os Mórmons se vangloriam da habilidade dos profetas SUD em revelarem novas Escrituras para a igreja hoje. Assim, seu cânon dos quatros livros das Escrituras, nunca está considerado fechado, mas as “palavras inspiradas” nos profetas SUD vivos tornam-se “escritura” para eles também. 25.  Assim como uma criança se orgulha dos seus “novos” brinquedos para seus colegas, assim os Mórmons se gabam da sua “nova revelação” do Livro de Mórmon que escarneia os cristãos que se apegam às “velhas” revelações da Bíblia:

“E porque minhas palavras hão de silvar — muitos dos gentios clamarão: Uma Bíblia, uma Bíblia! Temos uma Bíblia e não pode haver qualquer outra Bíblia. …Tu, néscio, que dirás: Uma Bíblia, temos uma Bíblia e não necessitamos de mais Bíblia! Teríeis obtido uma Bíblia, se não fosse pelos judeus?  Não sabeis que há mais de uma nação?” — 2 Néfi 29:3, 6-7

Para responder a estas acusações, cristãos habitualmente olham para um texto da Bíblia que ensine que o cânon das Escrituras foi fechado em Apocalipse — o último livro do Novo Testamento. Infelizmente, tal passagem não existe, embora muitos apelem incorretamente para Apocalipse 22:18-19:

“Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro.”

No contexto, Apocalipse 22:18-19 refere-se ao livro do Apocalipse, não à Bíblia como um todo. Embora nenhuma Escritura fale do facto de que o cânon das Escrituras foi fechado com a escrita do último livro da Bíblia, as Escrituras afirmam que “todo o desígnio de Deus” foi declarado e que Deus já nos deu “todas as coisas” pertencentes à vida e piedade:

“Porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus.” — Atos 20:27

“Pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude.” — 2 Pedro 1:3

Se “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” e “todo o desígnio de Deus” já nos foi declarado através da Bíblia, que necessidade temos para um novo “desígnio” de Deus em forma de Escritura adicional? Como já provamos, nenhuma das palavras de Deus se perderam e assim não existe necessidade para uma “restauração” das “claras e preciosas” verdades dos evangelhos através da chamada Escritura do “Livro de Mórmon”. Para além disso, com respeito ao conceito de revelações nos últimos dias, as Escrituras dão-nos os seguintes fortes avisos:

  • Não vá “além” do que está escrito (1 Coríntios 4:6; 2 João 1:9).
  • Não “acrescente” ou “retire” das palavras que Deus falou (Deuteronômio 4:2; Provérbios 30:6).
  • Não contradiga o que Deus registou nas Escrituras (Isaías 8:20; Deuteronômio 13:1-5).
  • Não proclame mensagens em nome de Deus que Ele não deu (Deuteronômio 18:20-22).
  • Não torça as Escrituras para se encaixarem nas suas doutrinas distorcidas (2 Pedro 3:16).

Quando alguém mede a Escritura (Mórmon) recente contra estas orientações, descobre esta falha em todos os cinco pontos. Fundamentalmente, é um assunto sobre em quem nós confiamos. Você confia em Joseph Smith e no Livro de Mórmon que afirmam que Jesus falhou em manter a Sua promessa de preservar a Sua Palavra (1 Néfi 13)? Ou você confia em Jesus Cristo e nas Suas promessas? (Mateus 24:35; Marcos 13:31; Lucas 21:33)

Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis.”— Mateus 7:15-16

Os “frutos” deste “falso profeta” Mórmon são evidentes. Ninguém pode ter os dois lados, pois acreditar no Livro de Mórmon é chamar Jesus de mentiroso. QUE ISSO NUNCA ACONTEÇA!

“E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem…” — Romanos 3:3-4

PARA MAIS INFORMAÇÕES VEJA:

bullets O LIVRO DE MÓRMON VS A BÍBLIA E A DOUTRINA SUD
bullets GRANDES MUDANÇAS NA DOUTRINA MÓRMON & ESCRITURA CONVÊNIOS

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1. Estes seis livros são Hebreus, 2 Pedro, Tiago, 2 João, 3 João, e Revelação.
2. Salvo indicação em contrário, todas as Escrituras Bíblicas são citadas da versão Almeida Revista e Atualizada da Bíblia.
3. Teachings of the Prophet Joseph Smith (Ensinos do Profeta Joseph Smith), 1976, de Joseph Fielding Smith, pág.327 (Edição em inglês)
4. Compare isto com Gálatas 1:6-9 na Bíblia.
5. Veja também Marcos 13:31 e Lucas 21:33.
6. Veja History of the Church (História da Igreja), vol.1, págs. 324, 368
7. As adições de Smith ao texto da Bíblia estão anotadas aqui e em outras citações em itálico. A inserção da palavra subtil “não” nesta passagem de Romanos 4:5, muda completamente o sentido da passagem e anula a doutrina bíblica da justificação apenas pela fé que o apóstolo Paulo enfatizou através de Romanos. (Edição em inglês).
8. Esta qualificação de não permitir que um “homem pecador” veja a face de Deus, em vez de TODA a humanidade, foi alterada para justificar a afirmação de Smith de ter visto Deus o Pai no seu relato da Primeira Visão de 1820. (Edição em inglês)
9. Veja Teachings of the Prophet Joseph Smith (Ensinos do Profeta Joseph Smith), 1976, de Joseph Fielding Smith, pág. 370 (Edição em inglês)
10. Veja Teachings of the Prophet Joseph Smith (Ensinos do Profeta Joseph Smith), págs. 345-346 (Edição em inglês)
11. Veja 1 Néfi 13:24-26, 28-29, 32, 34
12. Veja 1 Néfi 13:24-25
13. Veja The New Evidence that Demands A Verdict (A Nova Evidência que Exige um Veredito), 1999, de Josh McDowell, págs. 17-18
14. 1 Néfi 13:28
15. Veja Old Testament Textual Criticism—A Practical Introduction (Criticismo Textual do Antigo Testamento), 1994, de Ellis R. Brotzman, págs. 56-57 e The New Evidence That Demands A Verdict (A Nova Evidência que Exige um Veredito), pág. 73
16. Veja The New Evidence That Demands A Verdict (A Nova Evidência que Exige um Veredito), págs. 70, 90
17. The New Evidence That Demands A Verdict (A Nova Evidência que Exige um Veredito), pág. 34
18. The New Evidence That Demands A Verdict (A Nova Evidência que Exige um Veredito), pág. 38
19. Os sete pais da igreja contados neste total são: Justino, o Mártir, Irineu, Clemente de Alexandria, Orígenes, Tertuliano, Hipólito, Eusébio de Cesaréia referenciados no The New Evidence That Demands A Verdict (A Nova Evidência que Exige um Veredito), pág. 43
20. The New Evidence That Demands A Verdict (A Nova Evidência que Exige um Veredito), pág. 45
21. The A tradução em latim e inglês da versão da Idade Média da Vulgata Latina de 1 João 5:7-8, é tirada do website Wikipedia em http://en.wikipedia.org/wiki/Comma_Johanneum visto que a Vulgata Latina atual foi alterada, de modo a concordar com a maioria das traduções modernas em excluir as palavras adicionais do Comma Johanneum.
22. Citado do livro The King James Only Controversy (A Única Controvérsia da Rei Jaime), 1995, James R. White, pág. 60
23. Citado do livro The King James Only Controversy (A Única Controvérsia da Rei Jaime), pág. 61 (Edição em inglês)
24. Veja When Critics Ask – Popular Handbook on Bible Difficulties (Quando os Críticos Perguntam – Manual Popular sobre Dificuldades da Bíblia), 1992, de Norman Geisler e Thomas Howe, pág. 489
25. Veja Gospel Principle (Princípios do Evangelho), 1995 pág. 55. (Edição em inglês.)

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